Renda declarada de pastor que voou com Nikolas vira alvo na CPMI

Renda declarada de pastor que voou com Nikolas vira alvo na CPMI
Publicado em 03/03/2026 às 19:18

Por Cleber Lourenço

Um requerimento protocolado nesta terça-feira na CPMI do INSS colocou sob análise a declaração de renda do pastor Guilherme Ferreira Batista da Silva e ampliou o foco da comissão sobre a relação entre instituições financeiras, lideranças religiosas e articulação política.

O pedido é assinado pelos deputados Rogério Correia (PT-MG), Alencar Santana (PT-SP) e Paulo Pimenta (PT-RS). No documento, os parlamentares mencionam reportagem que revelou a participação do pastor, ao lado do deputado Nikolas Ferreira, na caravana “Juventude pelo Brasil”, realizada durante o segundo turno das eleições de 2022. As viagens ocorreram em aeronave Embraer 505 Phenom 300 pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro, então presidente do Banco Master.

O trecho central do requerimento destaca: “Além disso, o pastor Guilherme Batista declara possuir rendimentos mensais equivalentes a aproximadamente um salário mínimo, circunstância que torna ainda mais relevante o esclarecimento acerca da estrutura logística e financeira que viabilizou a realização da referida caravana, especialmente diante da utilização de aeronave executiva pertencente a agente diretamente ligado a instituição financeira investigada no âmbito desta Comissão”.

A comissão investiga fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no âmbito da operação “Sem Desconto”. Nos bastidores da CPMI, parlamentares sustentam que há indícios de possível utilização de estruturas religiosas para movimentação ou ocultação de recursos ligados ao esquema investigado.

Banco Master

O nome do Banco Master aparece em diferentes requerimentos já apresentados à comissão. Daniel Vorcaro foi convocado para prestar esclarecimentos. Também foram protocolados pedidos de quebra de sigilo envolvendo o Clava Forte Bank e lideranças religiosas associadas à Igreja Batista da Lagoinha.

Entre os alvos de requerimentos estão o pastor André Valadão e o empresário Fabiano Campos Zettel, apontado em reportagens como ligado à estrutura da Lagoinha e com relação familiar com Vorcaro. A CPMI também solicitou informações financeiras envolvendo o Clava Forte, citado por parlamentares como peça relevante na engrenagem financeira sob investigação.

É nesse contexto que o nome de Guilherme Batista surge. O pastor é vinculado à Lagoinha e participou da caravana política que utilizou aeronave pertencente ao presidente do Banco Master. Para os autores do requerimento, a combinação entre renda declarada equivalente a um salário mínimo e a participação em deslocamentos realizados em jato executivo impõe a necessidade de verificação detalhada da movimentação financeira.

O pedido inclui a elaboração de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) pelo Coaf e a transferência de sigilo bancário e fiscal referente ao período de 1º de janeiro de 2021 a 3 de março de 2026. Segundo os deputados, a medida permitirá analisar evolução patrimonial, fluxo de recursos e eventuais vínculos econômicos relacionados aos fatos apurados.

O requerimento não apresenta acusação formal contra o pastor. A justificativa central é apurar se há compatibilidade entre a renda declarada e a estrutura logística observada durante a campanha eleitoral de 2022, dentro de uma linha mais ampla que envolve Banco Master, Clava Forte e lideranças da Lagoinha.

A reportagem tentou contato com o pastor Guilherme Ferreira Batista da Silva por meio de suas redes sociais, mas não obteve retorno até o momento da publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.