Economistas do mercado financeiro passaram a projetar um corte menor na taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 17 e 18 de março. A mudança nas expectativas aparece no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central, que reúne estimativas de mais de 100 instituições financeiras.
Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas.
Até a semana passada, a previsão predominante entre analistas era de redução de 0,5 ponto percentual, o que levaria os juros para 14,5% ao ano. Com o agravamento das tensões no Oriente Médio e a disparada do preço do petróleo, a projeção passou a ser de um corte mais moderado, de 0,25 ponto, para 14,75% ao ano.
A decisão oficial do Copom será anunciada na próxima quarta-feira (18).
A revisão das projeções ocorreu após o início do conflito envolvendo o Irã, que impulsionou o preço internacional do petróleo. Nesta segunda-feira, o barril voltou a superar os US$ 100, cenário que pode pressionar a inflação brasileira, principalmente por meio do aumento dos combustíveis.
Boletim Focus eleva estimativas para inflação
Diante desse contexto, o mercado também elevou suas estimativas para a inflação.
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiu de 3,91% para 4,10%. Mesmo assim, o número ainda ficaria abaixo da inflação registrada no ano passado, quando o índice fechou em 4,26%.
Para os anos seguintes, as estimativas permanecem estáveis:
- 2027: 3,80%
- 2028: 3,50%
- 2029: 3,50%
Desde 2025, o país adota o sistema de meta contínua de inflação, com objetivo central de 3% ao ano. O índice é considerado dentro da meta quando fica entre 1,5% e 4,5%.
Projeções para juros nos próximos anos de acordo com o Boletim Focus
O boletim Focus também trouxe atualizações para o caminho esperado da Selic nos próximos anos.
- Fim de 2026: previsão subiu de 12,13% para 12,25% ao ano
- Fim de 2027: mantida em 10,50%
- Fim de 2028: mantida em 10%
PIB
Em relação à atividade econômica, o mercado fez apenas um pequeno ajuste nas projeções. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,82% para 1,83%.
O dado oficial mais recente, divulgado pelo IBGE, mostra que a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025.
Para 2027, a estimativa de crescimento permanece em 1,8%.
Dólar
O mercado financeiro também revisou ligeiramente suas previsões para o câmbio. A expectativa para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,41 para R$ 5,40.
Já para 2027, a estimativa recuou de R$ 5,50 para R$ 5,47.
As projeções refletem o cenário de maior incerteza global, influenciado pelas tensões geopolíticas e pelo impacto do petróleo sobre a inflação mundial.




