EUA enviam plano de paz e Irã rebate: ‘Não chamem derrota de acordo’

EUA enviam plano de paz e Irã rebate: ‘Não chamem derrota de acordo’
Publicado em 25/03/2026 às 5:41

O governo iraniano ironizou as declarações do presidente Donald Trump de que Teerã estaria desesperada para fechar um acordo para encerrar a guerra. Nesta quarta-feira, diplomatas, a imprensa americana e israelense confirmaram que a Casa Branca enviou uma proposta de plano de paz aos iranianos, por meio de negociadores do Paquistão. O pacto, porém, não fala em mudança de regime, argumento que Trump sempre usou para justificar a guerra.

Num vídeo publicado nas redes sociais, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, Ebrahim Zolfaghari, atacou a “autoproclamada superpotência global” e alertou: “não chamem sua derrota de acordo”.

“O nível do seu conflito interno chegou ao ponto em que vocês estão negociando entre si?”, questionou.

“Vocês não verão seus investimentos na região nem os preços anteriores da energia e do petróleo novamente, até que entendam que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa de nossas forças armadas. A estabilidade vem da força”, disse Zolfaghari, fazendo referência a um dos lemas de Trump que insiste em falar da “paz pela força”.

“Alguém como nós jamais chegará a um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca”, completou.

Horas depois, numa entrevista ao jornal India Today, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, admitiu que muitos países entraram em contato com o Irã, oferecendo-se para mediar o conflito. “Há mensagens circulando há alguns dias… Respondemos a essas mensagens. Nossa mensagem é muito clara. Continuamos a nos defender”, afirmou.

Para Baghaei, não se pode confiar na intenção de Trump de negociar a paz.  “Vejam os fatos. O Irã está sob bombardeio constante e ataques de mísseis dos EUA e de Israel. Portanto, a alegação deles de diplomacia e mediação não é crível. Porque eles iniciaram esta guerra e continuam a atacar o Irã. Então, alguém pode acreditar que a alegação deles de mediação seja crível?”, questionou.

Baghaei, ainda assim, admitiu contatos entre o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, tem mantido contato com seu homólogo paquistanês.

“Portanto, esse tipo de conversa está acontecendo entre o Irã e seus vizinhos e outros países amigos. Entendemos que os países da região, os países vizinhos, estão preocupados com as consequências e todos estão tentando, de alguma forma, ajudar a situação a se acalmar”, disse ele.

O que diz o plano

Enquanto as diferentes versões disputam espaço sobre a existência ou não de um processo negociador, a imprensa israelense e americana publicou o que seria o rascunho do plano de paz.

Eles são:

  • As instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow serão desativadas e destruídas.
  • Transparência e supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre as atividades no Irã.
  • O Irã abandonará o uso de grupos armados na região e cessará o financiamento e o armamento de seus afiliados regionais.
  • Desmantelamento das capacidades nucleares existentes já acumuladas.
  • Compromisso de nunca buscar o desenvolvimento de armas nucleares.
  • Nenhum material nuclear será enriquecido em solo iraniano, e todo o material enriquecido será entregue à AIEA.
  • O Estreito de Ormuz permanecerá aberto e constituirá uma “zona marítima livre”.
  • Os mísseis do Irã estarão sujeitos a uma decisão futura, mas serão limitados em quantidade e alcance, e destinados apenas à autodefesa.

Em troca, o Irã receberia:

  • Assistência americana no desenvolvimento de um projeto nuclear civil em Bushehr para a produção de eletricidade
  • Remoção de todas as sanções
  • Remoção da ameaça de renovação das sanções