(Folhapress) – A Prefeitura de São Paulo afastou um gerente da SPTuris, empresa municipal de Turismo, que é investigado pela CGM (Controladoria-Geral do Município) no processo que apura a contratação do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora do filme “Dark Horse“.
Antes de ocupar o posto na empresa municipal, Rodrigo Raveli Bolzan foi sócio da Complexys Soluções Integradas, uma das empresas investigadas pela Polícia Civil no inquérito que apura a hipótese de que recursos da prefeitura recebidos pelo ICB foram desviados e terminaram no filme.
A SPTuris manteve R$ 12 milhões em contratos com a Complexys, segundo reportagem do portal Metrópoles, e Bolzan foi o servidor designado para fiscalizar parte desses contratos. Nunes não esclareceu se o eventual conflito de interesse foi a causa do afastamento.
“Ele está afastado das funções. Foi aberta uma apuração pela Controladoria. Está sendo apurado, acompanhado pela Controladoria”, disse o prefeito.
“A gente não quer deixar, em nenhuma hipótese, qualquer tipo de dúvida sobre qualquer situação”, disse Nunes, ao prometer que “vai ser muito rápido e célere o processo de apuração. Identificada alguma ilegalidade, obviamente ele vai ser demitido”.
O prefeito abordou o tema na terça-feira (9) durante entrevista coletiva após a inauguração de uma unidade de saúde na zona sul da cidade.
A sede da Complexys, na Vila Mariana, zona sul da cidade, foi um dos oito endereços em que a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão durante a operação que mirou os contratos da produtora de “Dark Horse”, na semana passada.
A investigação policial apura suspeitas de fraude em licitação e superfaturamento em um contrato de R$ 108 milhões da gestão Nunes com o ICB para o fornecimento de wi-fi gratuito em pontos da periferia da cidade.
A Polícia Civil afirma que há confusão patrimonial entre as contas de Karina e que parte dos recursos pagos pela prefeitura à entidade pode ter sido transferida para a produtora Go UP Entertainment, que produziu o filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
A Complexys foi subcontratada pelo ICB para o fornecimento do wi-fi. A polícia investiga a regularidade de R$ 2,4 milhões em notas fiscais da empresa para o instituto que, segundo a investigação, foram apresentadas na prestação de contas do instituto à prefeitura, mas canceladas no mesmo dia da emissão.
A reportagem tentou, sem sucesso, contato telefônico com Bolzan para tratar do caso. A Complexys foi procurada por WhatsApp, mas não respondeu.
O ICB afirmou, após a operação policial da semana passada, que colabora com as investigações e que “a equipe jurídica do instituto contratou perícia e auditoria especializada para oferecer suporte técnico e jurídico a todo o processo de investigação”.
A produção “Dark Horse” é baseada no atentado contra o ex-presidente Bolsonaro, ocorrido em 2018.
O site The Intercept Brasil publicou áudios e mensagens que mostram Flávio negociando com Daniel Vorcaro, do Banco Master, o financiamento da produção.
O portal revelou que Vorcaro repassou R$ 61 milhões para o longa-metragem. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro foi usado para financiar gastos do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Flávio nega que haja algo ilícito no pedido de ajuda ao ex-banqueiro. Eduardo nega ter tido acesso aos recursos.




