Em entrevista à coluna, o advogado José Vicente Santini, um dos coordenadores da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), disse que “ainda não sabe” o que fará com uma mansão comprada por ele no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, por R$ 14,5 milhões, em setembro de 2025. Ao todo, o patrimônio de Santini é de pelo menos R$ 23 milhões, em nove imóveis adquiridos desde de 2022, conforme levantamento inédito do ICL Notícias.
A aquisição mais recente tem uma área total de 1.312,50 metros quadrados e 635,8 metros quadrados de área construída. De acordo com as certidões de matrícula e escritura do imóvel, ele pagou R$ 4 milhões de entrada e financiou R$ 10,5 milhões no Banco Regional de Brasília (BRB). Confira a entrevista:
Coluna: Como está o trabalho na campanha?
Santini: Pra gente, a gente começou em fevereiro, né? Fevereiro, março, abril, maio… com todas as complicações que foram, né? Junho, já estamos entrando em julho. Mas ok, tá caminhando para o momento da eleição mesmo, que é o melhor, né? Essa pré-campanha é muito cansativa. A campanha é mais encaixada.
Coluna: E você está como coordenador da agenda?
Santini: É uma coordenação informal. Assim, é uma pré-campanha, né? Então, o que eu fiz foi tentar organizar, naquele momento que eu entrei ali, a agenda. Mas formalmente mesmo, eu sou do jurídico da campanha, né?
Coluna: Formalmente você está como advogado, mas tem uma função extraoficial, por enquanto, de coordenação de agenda. Vai formalizar isso depois?
Santini: Nem sei. Vai ser tão cansativo esse negócio, né? Vai ser tão grande. Tanta coisa. A gente ainda não pensou. Mas quando eu entrei, ali atrás, para ajudar na agenda, foi para ajudar pela minha experiência ali, né? Conheço quase todos os deputados, senadores e governadores. Conheço quase todo mundo. Aí, assim, precisava de alguém que conhecesse as pessoas para falar em nome dele (Flávio), né? Não dava pra ser qualquer pessoa, né? Pra ficar tratando assim com os candidatos, organizando os palanques, fazendo as estruturas ali das agendas dos estados, que são muito complicadas, muita gente.
Coluna: Então, você tem ajudado nisso?
Santini: Eu tenho ajudado nisso.
Coluna: Faz algum tempo, o pessoal do Portal Metrópoles fez uma matéria sobre uma casa que você comprou em Brasília. Acho que de quase R$ 6 milhões.
Santini: Isso foi.
Coluna: Em 2022. É a sua casa, é onde você mora?
Santini: É onde eu moro.
Coluna: E você comprou em setembro do ano passado uma outra casa no Lago Sul, no valor de R$ 14 milhões, né?
Santini: Eu comprei? Não. O banco, né? Fiz um financiamento de 20 anos. 25 anos.
Coluna: Você comprou um imóvel com financiamento do BRB.
Santini: Sim.
Coluna: Assim, eu levantei alguns dados sobre isso porque essa informação chegou para mim. Preciso te perguntar porque é um valor muito alto. Tem uma prestação muito alta também. A prestação é de R$ 128 mil e, pelas próprias regras de financiamento, para você poder ter esse tipo de financiamento não pode comprometer mais de 30% da sua renda. Então, na simulação, você teria que ter uma renda de mais de R$ 400 mil. E de onde vem sua renda para isso? Porque tem os cargos públicos. Seu salário era na base de R$ 20 mil. Sei que você comprou com a sua companheira, mas ela é quem está com a menor porcentagem dos imóveis. Está vindo de onde sua renda para tudo isso? Se puder explicar para a gente.
Santini: Isso é tranquilo. Assim, não sei se você sabe, mas eu não sou servidor público de carreira. Nem sou político. Nunca exerci nenhum cargo político, nem sou servidor público. Eu sou advogado e sou advogado há mais de 20 anos. Então, vem da minha renda de advogado, empresário, enfim, vem da minha atuação como advogado e como empresário e com outras coisas.
Coluna: Como é que é o nome do teu escritório?
Santini: É o meu nome.
Coluna: E você é sócio único?
Santini: Não. Santini Sociedade de Advogados. Fica sediado em Brasília. Mas assim, eu sou advogado há mais de 20 anos. Não é assim. Eu só ocupei os cargos ali. Fui convidado, ocupei. Não sou servidor público, entendeu?
Coluna: Que atividade empresarial você tem além da advocacia?
Santini: A minha família sempre teve empresas na área de segurança. A gente até vendeu, faz uns anos, uma delas. É a minha trajetória. Meu pai já morreu. Já recebi uma herança. Só acho que, nesses últimos anos, se você botar 20 anos, eu ocupei cargos públicos, sei lá, três anos.
Coluna: Desde 2019, né? Você estava desde o começo do governo Bolsonaro. Assim, você ficou todo o governo. E depois estava no Tarcísio.
Santini: Não. Fiquei um ano fora, né? Eu fiquei um ano fora. Depois eu voltei. Aí, nesse ano eu fiquei fora, fiquei advogando normal, não tinha nem impedimento. Depois, nesse período, no governo Tarcísio, eu podia advogar.
Coluna: Você pode falar um pouco sobre essa atuação na advocacia? Que clientes?
Santini: Eu não posso falar, mas é público.
Coluna: Mas que tipo de atuação você faz? Que área do Direito você atua?
Santini: Eu sempre atuei. Bom, antes, né? Eu tenho pós-graduação, mestrado e doutorado em Direito Internacional, que foi a minha primeira atuação. Advogo há mais de 20 anos. Advogado em muitos setores. Sempre atuei em Brasília e nos tribunais superiores — TRF, TCU, STJ, STF. Fiz a carreira inteira atuando nos tribunais superiores em Brasília.
Coluna: Quantos advogados trabalham com você no escritório?
Santini: Trabalha bastante gente no escritório. Sempre que tive que me afastar do escritório no período do governo federal, que aí sim, eu não podia. E, tirando isso, tenho um escritório grande.
Coluna: Você não sabe dizer quantos advogados você tem no escritório?
Santini: Não, porque a gente trabalha com o sistema de sociedade, né? Então tem sócio, tem associados, tem escritório parceiro que atua junto, têm escritórios coligados, né? Então, em cada matéria que eu atuo, principalmente, eu atuo com algum escritório.
Coluna: E o ano passado, além dessa casa, você fez uma série de compras também de terrenos. Acho que de alguém da sua família — não sei se é seu irmão. Lá em São Paulo também, né? Em Campinas.
Santini: Ah, não. Eles são terrenos que pertenciam à gente, eram da minha família, em que a gente teve que, na divisão com nossos primos, abrir mão de alguns e depois recomprar. São terrenos pequenos, besteiras, coisas de família.
Coluna: Chama muita atenção, né? Empréstimo de R$ 10 milhões com o BRB e uma renda de quase R$ 500 mil. Só para entender até a própria evolução: seu patrimônio começa a ser constituído em imóveis naquele apartamento que você comprou antes, que foi dado em permuta com essa casa que você mora hoje?
Santini: Não sei, pode ser. Até então eu investia mais em banco, né? Depois, quando eu fui casar, é que eu fui comprar imóvel.
Coluna: Entendi.
Santini: Depois eu fui comprar casa quando minha esposa ficou grávida.
Coluna: E aí, essa casa que vocês compraram agora, a mais recente, de setembro, vocês pretendem mudar para lá?
Santini: Não. Eu comprei, mas fiz um negócio que eu achei que estava com um preço… um local que podia valorizar. Então, eu não sei ainda se vou botar à venda. Eu não sei se vou futuramente colocar meu escritório de advocacia. Não sei ainda. Por isso, eu financiei.
Coluna: Nossa, é uma casa de R$ 14 milhões. Você comprou e não sabe se vai morar? Desculpa a surpresa. Porque é uma casa gigante, um terreno imenso, 600 metros de área construída e 1.300 metros de terreno. Fica até estranho, sabe? Ouvir que você comprou, mas não sabe o que vai fazer com um gasto de um valor desse tamanho.
Santini: Mas você não sabe da minha vida pessoal.
Coluna: Não, eu não sei. É só porque, sabe, ouvindo, dá uma surpresa, entendeu?
Santini: Mas assim, eu faço o que eu quiser com meu dinheiro.
Coluna: Sem dúvida. É só porque realmente são valores muito altos, né?
Santini: Tudo o que você tá falando tá declarado, né? Mas eu sou advogado, eu ganho dinheiro, tá tudo declarado. Tudo que você tá falando aí, não é que você descobriu que eu fiz uma coisa e tal. O dinheiro está tudo declarado, imposto está pago. Não tenho nenhum problema com nenhum desses assuntos aí que eu te falei. Tenho 20 anos de advocacia, tenho uma história familiar, tenho uma empresa. Não tem nenhum problema aí.




