Dark Horse completa três semanas sem parecer da PGR

Dark Horse completa três semanas sem parecer da PGR
Publicado em 16/07/2026 às 19:58

Por Cleber Lourenço

A Procuradoria-Geral da República levou três dias para emitir parecer favorável à operação contra o publicitário Thiago Miranda, investigado no caso Banco Master. Já o pedido de abertura de investigação sobre o chamado caso Dark Horse, que também envolve Miranda, permanece sem manifestação pública mais de duas semanas depois de ter sido encaminhado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

O pedido relativo ao Dark Horse foi enviado à PGR em 30 de junho. A operação contra Thiago Miranda, por outro lado, chegou à Procuradoria em 3 de julho e recebeu parecer favorável no dia 6, durante o fim de semana.

A reportagem procurou a PGR por meio da assessoria de imprensa para saber se a manifestação sobre o Dark Horse já havia sido encaminhada ao STF. Em resposta, a Procuradoria afirmou que não existe prazo legal para a entrega do parecer.

A diferença de tramitação chama atenção porque os dois procedimentos têm um personagem em comum: Thiago Miranda. O publicitário foi alvo de medidas cautelares determinadas por Mendonça e aparece nas investigações como um operador ligado à produção de conteúdos audiovisuais relacionados ao grupo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Caso Dark Horse

O caso Dark Horse teve origem em informações sobre a produção de um documentário relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O material passou a ser investigado depois que surgiram indícios de que a iniciativa poderia ter sido usada para aproximar empresários, produtores e integrantes do grupo político de Bolsonaro, além de movimentar recursos de origem ainda sob apuração.

Thiago Miranda aparece nesse núcleo por sua atuação no setor audiovisual. Segundo os elementos levados ao STF, ele teria participado da articulação de projetos envolvendo Vorcaro e a produção de conteúdos sobre Bolsonaro. A investigação busca esclarecer quem financiou os projetos, quais eram seus objetivos e se houve uso de estruturas empresariais para ocultar a origem ou a destinação de recursos.

A apuração é tratada como uma frente relacionada ao caso Master, mas não se confunde com a investigação sobre a fraude financeira atribuída ao banco. O foco do Dark Horse está nas conexões políticas, empresariais e audiovisuais que podem ter sido estabelecidas a partir desses projetos.

Ritmos diferentes

Embora os dois procedimentos estejam relacionados ao mesmo núcleo, a PGR analisou em três dias o pedido de operação contra Miranda. Já a solicitação de abertura de investigação do Dark Horse continua sem manifestação pública.

Não há, segundo a Procuradoria, prazo legal para que o parecer seja apresentado. A ausência de prazo impede afirmar que houve atraso ou irregularidade. Ainda assim, a diferença entre os dois prazos é um dado objetivo da tramitação: uma operação foi avalizada em três dias, enquanto o pedido de investigação mais amplo permanece em análise por mais de duas semanas.

A operação contra Thiago Miranda ocorreu depois que a Polícia Federal identificou que ele tinha viagem marcada para Miami. Mendonça determinou a entrega do passaporte e outras medidas cautelares. A decisão foi tomada durante o recesso do STF, período em que o ministro estava fora do país, mas continuou despachando eletronicamente.

A eventual manifestação da PGR sobre o Dark Horse deverá indicar se a Procuradoria vê elementos suficientes para abrir uma investigação formal sobre as conexões entre Miranda, Vorcaro e os projetos audiovisuais ligados ao ex-presidente Bolsonaro.