Voepass fez quase 2,7 mil voos sem manutenção adequada

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A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) apontou que a Voepass Linhas Aéreas operou 2,6 mil voos com aviões sem manutenção adequada após o acidente ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), que deixou 62 mortos – 58 passageiros e quatro tripulantes.
Os dados são resultado de inspeção feita pelo órgão regulador na Voepass e foram divulgados na reunião que cassou, em definitivo, o Certificado de Operador Aéreo da empresa. Além da cassação do COA, a empresa foi multada em R$ 570,4 mil.
Com a decisão, anunciada na terça-feira (24), a companhia aérea fica impedida de realizar o transporte aéreo de passageiros. A empresa não pode mais recorrer da decisão.
Segundo o relatório apresentado pelo diretor Luiz Ricardo Nascimento, relator do processo na Anac, a Voepass operou 2.687 voos com aeronaves em condições consideradas “não aeronavegáveis” entre agosto de 2024 e março de 2025. O número foi classificado como alarmante, especialmente porque as irregularidades ocorreram após a tragédia, quando se esperava reforço nos protocolos de segurança e maior diligência nos procedimentos técnicos.
Voepass deixou de realizar 20 inspeções obrigatórias
A fiscalização apontou que a Voepass deixou de realizar 20 inspeções obrigatórias em sete aeronaves, mesmo após ser colocada sob monitoramento intensivo pela Anac.
Para a Anac, a situação revela uma “perda de confiabilidade dos mecanismos internos de detecção e correção de problemas”, o que comprometeu a capacidade da empresa de prevenir falhas operacionais. “Não se trata de falhas pontuais, mas de uma degradação sistêmica da estrutura de manutenção e segurança da empresa”, destacou a agência em nota oficial.
A Voepass já estava com suas operações suspensas desde março deste ano, após a identificação de problemas nos sistemas de gestão de segurança.
Durante o período de suspensão, a Latam, parceira da Voepass em acordo de codeshare, ficou responsável por reacomodar os 106 mil passageiros afetados. A empresa, com sede em Ribeirão Preto (SP), atendia 16 destinos e operava 146 voos mensais apenas no aeroporto local.
A cassação do COA representa o desfecho de um processo sancionador que, segundo a Anac, reforça o compromisso da agência com a integridade da aviação civil no Brasil.
Para o Ministério dos Portos e Aeroportos, a medida é necessária para preservar a segurança dos passageiros e restaurar a confiança no setor aéreo.



