O governo de Israel, comandado por Binyamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira (15) que suas tropas permanecerão por tempo indeterminado nas áreas ocupadas do sul do Líbano, apesar do acordo de paz anunciado por Estados Unidos e Irã no domingo (14).
O acordo de paz foi duramente criticado por integrantes do governo de Binyamin Netanyahu e por líderes da oposição, que dizem que os termos não garantem a segurança do país. O Líbano foi arrastado para a guerra quando o Hezbollah, grupo extremista aliado de Teerã, atacou Israel em apoio ao Irã. Tel Aviv lançou uma ofensiva contra o país vizinho e passou a ocupar o sul libanês, deslocando ao menos um milhão de pessoas.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que a manutenção do controle sobre áreas ocupadas no Líbano está entre os principais resultados da ofensiva militar israelense. Segundo ele, moradores dessas regiões serão obrigados a deixar suas casas e toda a infraestrutura do Hezbollah será destruída. Imóveis utilizados pelo grupo como bases para ataques também serão demolidos.
Katz advertiu ainda que Israel responderá com “força total” caso o Irã promova ataques em retaliação à campanha militar israelense em território libanês.
O Irã reagiu às declarações. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que o acordo firmado com Washington prevê o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, além do respeito à soberania e à integridade territorial do país.
Baghaei disse que cabe aos Estados Unidos garantir que Israel cumpra esses compromissos, mas ressaltou que Teerã mantém uma “profunda desconfiança” em relação a Washington. Já o Exército libanês pediu nesta segunda-feira (15) que os moradores deslocados pelo conflito adiem o retorno às suas residências, alegando risco de novas violações e ataques israelenses.
O Hezbollah, por sua vez, comemorou o acordo. Em nota, o grupo apoiado por Teerã advertiu que não aceitará ataques israelenses que violem a soberania do Líbano ou tenham como alvo a população civil.
A assinatura oficial do pacto está prevista para sexta-feira, em Genebra.
Segundo Trump, o Estreito de Hormuz será reaberto à navegação internacional e as restrições impostas ao tráfego marítimo serão suspensas. Em publicação feita nesta segunda-feira, o presidente afirmou que navios petroleiros já começaram a cruzar a rota.
O governo iraniano, contudo, informou que continuará cobrando taxas das embarcações que utilizarem a passagem. “Serão cobradas tarifas relativas a serviços de navegação, proteção ambiental, seguros marítimos e outros serviços necessários”, declarou Baghaei.
Diversos países receberam positivamente o acordo. Rússia, China e Arábia Saudita manifestaram apoio à iniciativa. Moscou afirmou esperar que o documento seja formalmente assinado ainda nesta semana, enquanto Pequim declarou que espera a rápida normalização da navegação segura e livre pelo Estreito de Hormuz.




