Brasil está disposto a fazer concessões para evitar tarifas

Brasil está disposto a fazer concessões para evitar tarifas
Publicado em 15/06/2026 às 17:28

O governo brasileiro sinalizou aos EUA que está disposto a fazer concessões para que haja um acordo tarifário entre os dois países. Em uma reunião no último sábado com uma delegação americana, negociadores de Brasília se mostraram dispostos a buscar setores que poderiam ser oferecidos para que um acordo seja fechado.

Mas, sem ainda um sinal claro dos avanços no processo de diálogo, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump não têm previsão de se reunir nos próximos dias. Ambos participam, a partir de terça-feira, da cúpula do G7 em Evian.

Na conversa de sábado, os esforços foram direcionados para tentar identificar quais áreas o Brasil poderia oferecer aos EUA para evitar as tarifas de 25% que possam ser aplicadas em meados de julho contra o país.

Há dez dias, a Casa Branca indicou que poderá adotar duas tarifas contra o Brasil. Uma delas é de 25%. Outra tarifa é de 12,5% e estaria relacionada a uma investigação que indicou que o país não estaria agindo de forma suficiente para combater o trabalho escravo em suas importações.

Pix e soberania inegociáveis

Não existe, até agora, um pacote finalizado de quais seriam os setores que poderiam ser oferecidos pelo Brasil aos EUA. O que está certo, porém, é que o governo não oferecerá nem temas que ameaçam a soberania do Brasil, nem o Pix e nem aspectos políticos.

Os negociadores insistem que o governo Lula se limitará a oferecer quedas de tarifas a produtos americanos e maior acesso ao mercado nacional. A construção desse pacote está em plena elaboração e o Brasil considera que conta com mais um mês para chegar a um acordo.

A esperança é de que, com um pacote, o Brasil convença os EUA a não aplicar a tarifa de 25% ou pelo menos reduzir o impacto que ela poderia ter.

Sem sala reservada

Apesar de Lula e Trump estarem em Evian nesta semana, não existe nenhuma reunião programada entre os dois líderes às margens do G7 e nem um pedido do Brasil ou dos EUA por um encontro. De acordo com fontes, sequer existe uma sala reservada para um eventual encontro.

De acordo com o governo brasileiro, o processo negociador ainda não está maduro e não haveria sentido colocar o tema para uma reunião do mais alto nível político.

Lula e Trump, porém, estarão na mesma sala em diversos momento do G7 entre amanhã e quarta-feira. Há ainda um jantar nesta terça-feira, com a presença de ambos.

Neste contexto, pode haver um contato “protocolar”. Mas sem que haja uma conversa sobre substância ou temas como tarifas.