CALA A BOCA, MILEI! – ICL Notícias

Por Cleber Lourenço
Há limites que um presidente jamais deveria ultrapassar. Javier Milei , dublê de clown e presidente da Argentina, decidiu ignorá-los todos. Cruzou a fronteira para transformar o Brasil em palanque da extrema direita. Atacou o presidente da República, insultou um ministro do Supremo Tribunal Federal e tenta influenciar uma eleição que pertence exclusivamente aos brasileiros.
Não foi um deslize diplomático.
Foi uma afronta ao Brasil.
Presidentes representam seus países, não são influenciadores políticos em turnê internacional e nem cabos eleitorais de candidatos estrangeiros. Quando um chefe de Estado atravessa a fronteira para interferir na disputa política de outra nação, ele deixa de agir como estadista e passa a ser um militante. Milei fez essa escolha. E, ao fazê-la, atacou muito mais do que Lula. Atacou o Brasil institucional.
Não importa se Milei é de direita. Não importa se Lula é de esquerda. Tampouco importa que Flávio Bolsonaro tenha todo o direito de convidar quem quiser para sua convenção partidária. O que importa é que presidentes não representam partidos, representam Estados. E é justamente por isso que existe um protocolo diplomático, uma tradição de respeito mútuo e um princípio básico de não ingerência nos assuntos internos de outros países.
Como costuma fazer, Milei ignorou tudo isso. Depois de receber a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo governo de São Paulo, subiu ao palco da convenção do PL para pedir a derrota do governo brasileiro, chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário”, atacar o Supremo Tribunal Federal e dirigir ofensas ao ministro Edson Fachin, presidente da Corte. Não fez isso em Buenos Aires. Fez isso em território brasileiro, como convidado oficial.
O episódio seria grave por si só. Tornou-se ainda mais delicado porque ocorreu poucos dias depois de o governo dos Estados Unidos anunciar o envio de representantes ao Brasil para tratar de temas ligados ao sistema eleitoral brasileiro — iniciativa rejeitada pelo Itamaraty. Somado às reiteradas investidas contra as urnas eletrônicas e às tentativas de internacionalizar disputas políticas internas, o discurso de Milei reforça a estratégia do governo Donald Trump, de quem é capacho. Ultrapassa o debate ideológico e toca diretamente na soberania nacional.
A reação institucional veio rápido. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, classificou como desrespeitosa a referência feita por Milei a um integrante da Corte e afirmou que manifestações dessa natureza são incompatíveis com a civilidade que deve orientar as relações entre os Estados. O Itamaraty também reagiu diplomaticamente, demonstrando que o episódio extrapolou a disputa política e alcançou o campo das relações internacionais.
A democracia brasileira é forte o suficiente para resistir aos discursos de Javier Milei, esse ridículo personagem que faria melhor se tratasse do povo argentino, cada vez mais empobrecido. A crise no país vizinho fez o consumo de carne bovina cair drasticamente, aposentados passaram a sobreviver com salários de miséria, milhares de pequenas e médias empresas fecharam as portas, dezenas de milhares de postos de trabalho no setor fabril foram extintos.
Os sinais da incompetência do governo de Javier Milei estão por toda a parte.
.Apesar da irrelevância do presidente argentino, suas palavras não devem ser minimizadas ou normalizadas. Quando um governante estrangeiro usa o território nacional para atacar as instituições brasileiras e interferir simbolicamente na disputa eleitoral, o silêncio deixa de ser prudência. Passa a ser conivência.
Que as autoridades brasileiras sigam o que fez o presidente do STF e digam o que deve ser dito:
Cala a boca, Milei!



