Por Telesur
O candidato do Pacto Histórico, Iván Cepeda, anunciou a contestação de 33 mil mesas de votação em todo o país e afirmou que a definição da eleição presidencial dependerá da apuração oficial. Em discurso no Teatro Royal Center, em Bogotá, ele ressaltou que a contagem preliminar divulgada após o fechamento das urnas não tem caráter oficial nem vinculante, em uma disputa decidida por uma diferença mínima neste domingo (21).
Cepeda destacou que esta pode ser o segundo turno mais apertado da história eleitoral colombiana e orientou seus fiscais a acompanhar atentamente a apuração de cada mesa, verificando atas e resultados. “Vamos para a apuração oficial”, resumiu diante de seus apoiadores.
O senador afirmou ainda que o Pacto Histórico e as organizações da Aliança pela Vida respeitarão o resultado final após a conclusão da apuração e das verificações legais.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reforçou esse posicionamento em uma publicação na rede X. Ele pediu a contestação das mesas cujos formulários E14 tenham circulado sem a assinatura dos jurados e lembrou que nenhum dos candidatos ultrapassou a marca de 50% dos votos. “É a apuração que determina quem é o presidente”, escreveu, acrescentando: “Obedeço aos juízes”.
Petro também afirmou que o país está “dividido ao meio”, alertou para uma suposta interferência estrangeira e pediu tranquilidade à população. Além disso, defendeu a construção de um acordo nacional para preservar a paz nos próximos anos.
Em sintonia com essa mensagem, Cepeda apelou aos eleitores do campo político adversário para que busquem um entendimento nacional capaz de enfrentar os principais problemas estruturais e históricos da sociedade colombiana. Segundo ele, o diálogo respeitoso continua sendo uma prioridade. O candidato também afirmou que a esquerda utilizará a mobilização política para impedir retrocessos nas conquistas sociais obtidas durante o governo Petro.
Os números da eleição
O registrador nacional, Hernán Penagos, respondeu às denúncias apresentando dados da operação eleitoral. Ele agradeceu aos cerca de 860 mil jurados de votação que participaram da contagem inicial dos votos nas quase 122 mil mesas instaladas em todo o território colombiano.
Penagos explicou que a fiscalização não depende apenas do Estado. O Conselho Nacional Eleitoral disponibilizou uma plataforma para que os fiscais das campanhas enviem fotografias das atas diretamente aos seus comandos políticos, permitindo a conferência independente dos resultados.
A apuração municipal, já em andamento, conta com aproximadamente 9 mil juízes e tabeliães distribuídos em 2.992 comissões apuradoras, responsáveis por revisar cada ata na presença de fiscais e representantes das campanhas.
Segundo o registrador, a apuração oficial é feita com os formulários físicos E14 originais, conforme determina a legislação. As imagens digitalizadas e fotografias servem apenas para comparação, enquanto os documentos físicos são considerados a versão definitiva.
Esse processo também permite a apresentação de recursos e contestações pelas campanhas, mecanismo previsto no Código Eleitoral colombiano desde 1986.
Quem declara o vencedor
Após a apuração municipal, seguem as etapas departamental e nacional, conduzidas por delegados e magistrados do Conselho Nacional Eleitoral. Penagos enfatizou que a Registradoria Nacional não contabiliza os votos finais nem proclama os resultados oficiais.
A declaração do presidente eleito cabe ao Conselho Nacional Eleitoral, conforme estabelece a Constituição colombiana.
Dessa forma, o governo e seus aliados defendem uma revisão detalhada dos resultados mesa por mesa, enquanto a Registradoria sustenta que o processo de contagem foi conduzido de forma adequada e que a decisão final caberá às autoridades eleitorais.
O resultado definitivo dependerá da conferência das atas físicas e das decisões das instâncias eleitorais. O país aguarda o pronunciamento oficial que definirá quem sucederá Petro na Presidência da Colômbia em 7 de agosto.




