Debate sobre o Pátio de Caminhões na Ilha do Tatu reúne comunidade no IFSP Cubatão e fortalece discussão sobre desenvolvimento sustentável

Debate sobre o Pátio de Caminhões na Ilha do Tatu reúne comunidade no IFSP Cubatão e fortalece discussão sobre desenvolvimento sustentável
Publicado em 27/05/2026 às 12:41

Na noite da última terça-feira (26), o Instituto Federal de São Paulo – Campus Cubatão promoveu o debate “Pátio de Caminhões da APS na Ilha do Tatu, em Cubatão”, como parte da programação da XI Semana de Arte e Cultura e da II Semana de Saúde Mental do campus. O encontro reuniu estudantes, professores, moradores, lideranças ambientais e representantes do poder público para discutir os impactos sociais, ambientais e logísticos do projeto previsto para a região da Ilha do Tatu.

O debate contou com a participação de Pedro de Sá, Diretor de Portos da Prefeitura de Cubatão, Sidnei Aranha, Superintendente de Meio Ambiente da Autoridade Portuária de Santos (APS), e Thays Emídio, do Instituto Manguezal Vivo e do Movimento Contra o Pátio de Caminhões da Ilha tatu. A mediação foi realizada pelo professor Thiago Fonseca, organizador da atividade e docente do IFSP Cubatão.

A realização do encontro dentro da programação da Semana de Arte e Cultura reforçou o papel das instituições de ensino como espaços de diálogo democrático, produção de conhecimento e participação social. Ao integrar cultura, educação, saúde mental e questões socioambientais, o evento amplia o debate público sobre os rumos do desenvolvimento regional e seus impactos sobre a qualidade de vida da população.

Durante a atividade, foram discutidos temas como preservação dos manguezais, mobilidade urbana, impactos ambientais cumulativos, expansão portuária e justiça socioambiental. A Ilha do Tatu, uma espécie de Floresta Urbana entre o Jardim Casqueiro, Bolsões, Conjunto Rubens Lara, Parque São Luiz e Jardim Caraguatá, uma área sensível de manguezal e restinga, tem despertado preocupação de moradores e ambientalistas diante da possibilidade de instalação de um grande pátio para milhares de caminhões e Condomínio Logístico.

“Foi muito gratificante ver a participação e engajamento ativo de estudantes, ativistas do meio ambiente, a participação do secretário Pedro de Sá e representantes da prefeitura municipal. Mais uma vez, o representante do porto de Santos, traz pontos confusos e a negação de um retrocesso do avanço do porto sobre a nossa cidade. Mas não vamos desistir, com ele afirmou;  se a população não quer, não terá. Realmente, está comprovado as desvantagens para a cidade, para a Baixada Santista de um crescimento do porto de 5% . No qual os prejuízos não compensam. Não é só meio ambiente, sambaquis, preservação do meio ambiente… são vidas de pessoas, saúde pública, segurança, bairros prejudicados, cidades inteiras que podem ser danificadas disse a Arquiteta e Urbanista Ana Lucy Lemos.

Para a ativista socioambiental Giovanna Nabero, “a autoridade portuária busca um crescimento econômico, que favorece apenas o lobby de empresários da elite santista, às custas do sacrifício do meio ambiente, e da qualidade de vida da sociedade. O manguezal não pode ser visto como “espaço” livre, ele é casa do Guará- Vermelho, e de tantas outras vidas. É um bem imaterial, e insubstituível, não há lucro que compense sua morte. Não há interesse do povo em um crescimento que, na prática, só faz crescer também os problemas da comunidade.

O debate ganhou ainda mais relevância após o caos logístico registrado na última quinta-feira, especialmente na região do Jardim Casqueiro (ver fotos). O intenso fluxo de caminhões provocou congestionamentos, dificuldades de deslocamento, atrasos e transtornos para moradores e trabalhadores da região, evidenciando os desafios de mobilidade urbana e a necessidade de planejamento sustentável para o crescimento das atividades portuárias na Baixada Santista.