Dois PMs são presos suspeitos de tortura no PR; policial admitiu crime em mensagem

Dois PMs são presos suspeitos de tortura no PR; policial admitiu crime em mensagem
Publicado em 30/06/2026 às 10:04

Dois policiais militares foram presos nesta segunda-feira (29)  suspeitos de praticarem torturas no litoral do Paraná. Patrick Luiz da Rosa e Rodrigo Ramos Patrício Pinto são investigados por usar a função pública e a estrutura do Estado para espancar vítimas e exigir pagamentos em dinheiro. Ambos atuam em Pontal do Paraná.

Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Paranaguá, um vídeo, compartilhado entre os policiais em agosto de 2025, mostra os PMs torturando um homem de 24 anos com pedaços de madeira, socos e chutes.

Segundo o Gaeco, no vídeo, os agentes afirmam que a vítima “a todo momento urra de dor em meio aos estrondos secos provocados pelas agressões desferidas com pedaços de madeira”.

As investigações apontaram que a vítima tinha sido flagrada pelos dois policiais dentro de uma casa, durante o atendimento a uma ocorrência de invasão de domicílio.

Segundo o Gaeco, o mesmo homem voltou a ser alvo de agressões em outra ocasião, desta vez dentro da sede da 5ª Companhia do 9º Batalhão da Polícia Militar. As violências teriam ocorrido na presença de outros policiais militares e também de civis.

Para os investigadores, o episódio evidencia que os agentes suspeitos agiam sem receio de punição, demonstrando descrença na eficácia dos mecanismos de controle interno e externo que poderiam responsabilizá-los pelos atos. Além das acusações de tortura, o Gaeco também apura outros crimes, entre eles extorsão.

Ao site G1, a defesa dos policiais informou que o processo tramita sob segredo de Justiça e que ainda busca acesso aos autos. Por esse motivo, afirmou não ser possível comentar os fatos investigados.

Em nota, a Polícia Militar do Paraná informou que os dois agentes seguem presos e foram afastados de suas funções.

Torturas

As investigações ganharam força após, em novembro de 2025, outro homem procurar o Gaeco para denunciar que havia sido vítima de tortura e extorsão. Com base no relato, os celulares dos dois policiais foram apreendidos.

Segundo o Gaeco, um dos investigados, Patrick Luiz da Rosa, admitiu as agressões em mensagens enviadas à companheira. Na mesma noite em que a vítima afirmou ter tido o braço quebrado pelos policiais, Patrick escreveu que estava “espancando quatro pessoas no meio do mato, escondido”. Em outra mensagem, afirmou: “estávamos quebrando o braço e os dedos deles”.

Segundo Gaeco, policiais usaram a função e a estrutura do Estado para praticar os crimes. (Foto: Reprodução)

A vítima também relatou que, após as sessões de tortura, passou a receber mensagens exigindo pagamentos quinzenais de até R$ 3 mil. De acordo com o depoimento, o dinheiro seria cobrado em troca da “paz” dela e de seus familiares.

Segundo o pedido de prisão, os dois policiais usaram a função e a estrutura do Estado para praticar os crimes. “É alarmante que os agentes do Estado, que deveriam combater e investigar crimes, estivessem unidos para praticá-los”, aponta o documento.