Governo brasileiro turbina negociação com União Europeia para evitar suspensão de venda da carne

Governo brasileiro turbina negociação com União Europeia para evitar suspensão de venda da carne
Publicado em 06/06/2026 às 19:35

O governo brasileiro intensificou as negociações com a União Europeia para tentar reverter a decisão que retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco. A medida foi motivada por questionamentos relacionados ao uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Os antimicrobianos são medicamentos utilizados para prevenir e tratar infecções em animais. Em alguns casos, essas substâncias também são empregadas para estimular o crescimento dos rebanhos.

Segundo fontes do Itamaraty informaram ao jornalista Vladimir Neto, da TV Globo, o tema foi tratado diretamente pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante conversa realizada na última quinta-feira (4) com o comissário de Comércio da União Europeia.

A expectativa do governo é encontrar uma solução antes de setembro, quando a decisão europeia deverá começar a produzir efeitos. Paralelamente às articulações diplomáticas, o Ministério da Agricultura e representantes do setor produtivo trabalham para atender às exigências apresentadas pelos europeus, que incluem inspeções presenciais em propriedades rurais.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que a decisão não está relacionada a problemas sanitários na produção nacional. Segundo ele, o setor já segue protocolos rígidos de controle, mas está disposto a ampliar os mecanismos de fiscalização.

“A Europa não está discutindo ou tirou o Brasil da lista porque o Brasil não está cumprindo [as exigências]. Tirou porque não tem as garantias oficiais. Agora a gente vai agregar uma camada a mais de fiscalização, porque ela é feita muito com base no autocontrole das empresas, da declaração do produtor. A Europa quer que o Ministério da Agricultura também certifique isso”, disse Santin.

O dirigente também destacou a relevância do mercado europeu para as exportações brasileiras de proteína animal.

“A Europa é um dos maiores compradores de carne de aves e de carne bovina, especialmente com valor agregado. O valor da exportação desses dois produtos para a Europa é bastante impactante. Soma mais de US$ 1 bilhão para o Brasil por ano, e isso é um número bastante importante para nossa economia”, completou.

Decisão oficializada pela União Europeia

A exclusão do Brasil da lista de países considerados em conformidade com as normas europeias sobre o uso de antimicrobianos foi formalizada nesta sexta-feira (5), por meio da publicação de um documento oficial da União Europeia.

Na relação divulgada em 2024, o Brasil estava habilitado a exportar carne bovina, carne de frango, carne equina, além de produtos como tripas, pescado e mel. Com a atualização, o país deixou de figurar na lista para todos esses itens.

Em resposta, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) manifestou apoio ao sistema de fiscalização sanitária brasileiro e ao trabalho desenvolvido pelo Ministério da Agricultura.

“reafirma sua confiança no sistema brasileiro de inspeção sanitária e no trabalho conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária”, declarou a entidade em nota.

A associação também informou que continuará colaborando com o governo para fortalecer os mecanismos de controle e garantir a qualidade dos produtos destinados ao mercado internacional.

“As respostas e medidas já foram tomadas e a entidade segue cooperando com o governo brasileiro no fortalecimento dos controles sanitários e na promoção da qualidade e segurança do pescado brasileiro”, afirmou.