As projeções do mercado financeiro para a economia brasileira voltaram a se deteriorar. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central, a estimativa para a inflação de 2026 subiu pela 13ª semana consecutiva, enquanto os economistas passaram a prever uma redução menor da taxa básica de juros nos próximos meses.
O levantamento, que reúne projeções de mais de 100 instituições financeiras, mostra que a expectativa para o IPCA em 2026 avançou de 5,09% para 5,11%. O índice segue acima do teto da meta de inflação, fixada em 4,5% dentro do sistema de metas contínuas adotado pelo Banco Central.
Para os anos seguintes, as projeções também sofreram ajustes. A estimativa de inflação para 2027 passou de 4,02% para 4,03%, enquanto a previsão para 2028 recuou ligeiramente, de 3,66% para 3,65%. Já a projeção para 2029 permaneceu estável em 3,5%.
A revisão para cima ocorre em meio ao aumento das preocupações com os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo. Com o barril negociado próximo de US$ 94, investidores avaliam que combustíveis mais caros podem pressionar a inflação brasileira nos próximos meses.
Mercado reduz expectativa de cortes na Selic
Apesar de continuar projetando queda dos juros ao longo do tempo, o mercado passou a enxergar um ritmo mais lento de flexibilização monetária.
Atualmente, a taxa Selic está em 14,50% ao ano. Para o fim de 2026, a projeção subiu de 13,25% para 13,50%, indicando uma expectativa de cortes mais modestos. Para 2027, a estimativa avançou de 11,25% para 11,50% ao ano. Já para 2028, a previsão foi mantida em 10%.
O movimento reflete a percepção de que uma inflação mais resistente pode limitar o espaço para reduções mais agressivas dos juros.
PIB tem leve melhora nas projeções
As expectativas para o crescimento da economia brasileira apresentaram pequena melhora. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,90% para 1,91%.
Para 2027, a estimativa permaneceu em 1,70%.
O PIB é o principal indicador da atividade econômica e mede a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Em 2025, a economia brasileira registrou crescimento de 2,3%, segundo dados do IBGE.
Dólar tem previsão ligeiramente menor
No mercado de câmbio, os analistas reduziram marginalmente suas projeções para a moeda norte-americana.
A expectativa para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,16 para R$ 5,15. Para o encerramento de 2027, a projeção recuou de R$ 5,25 para R$ 5,20 por dólar.
O cenário reflete um ambiente de maior cautela dos investidores, que acompanham os impactos da alta do petróleo, os riscos inflacionários globais e os próximos passos da política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.




