O preço do petróleo registrou forte oscilação neste início de segunda-feira (23) e voltou a ser negociado abaixo da marca de US$ 100 o barril do tipo Brent, com vencimento em junho. A queda ocorre após um início de pregão pressionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, seguido por um alívio nos mercados após anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspensão temporária de ataques a refinarias iranianas.
O movimento marca uma reversão em relação ao pico recente de volatilidade. O contrato do Brent não fechava abaixo de US$ 100 desde 12 de março.
Logo nas primeiras horas do dia, o petróleo chegou a avançar cerca de 2%, sendo negociado a US$ 108,53 por volta das 7h15 (horário de Brasília). No entanto, o movimento perdeu força ao longo da manhã e passou a registrar queda acentuada.
Por volta das 10h, o Brent para junho recuava cerca de 9%, sendo cotado a US$ 96,79.
Na semana anterior, o contrato chegou a atingir US$ 119 durante a sessão — um patamar que representa alta expressiva em relação ao início do conflito, quando o barril era negociado em torno de US$ 72, uma valorização próxima de 50% a 60%.
Geopolítica volta a ditar o ritmo do petróleo
A forte volatilidade reflete a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, com novas trocas de ameaças e ataques indiretos. Desde o fechamento dos mercados na última sexta-feira (20), o conflito ganhou novos desdobramentos, incluindo ofensivas no sul de Israel, o que ampliou a percepção de risco na região.
O foco central das preocupações segue sendo o Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.
Anúncio de Trump reduz pressão sobre os preços
O alívio nos preços veio após declaração de Trump de que decidiu suspender, por cinco dias, ataques a infraestruturas energéticas iranianas. Segundo o presidente, a decisão foi tomada após “conversas produtivas” com autoridades do Irã.
A sinalização ajudou a reduzir parte das tensões que haviam sido intensificadas pelo próprio governo norte-americano, após o ultimato de reabertura do Estreito de Hormuz.
No fim de semana, Trump havia estabelecido um prazo de 48 horas para que o Irã liberasse a passagem marítima, sob ameaça de ataques às instalações energéticas do país.
Escalada de retórica mantém risco elevado
Apesar da sinalização de trégua, o ambiente permanece instável. O Exército iraniano rejeitou as declarações norte-americanas e afirmou que poderá responder com ataques a infraestrutura dos Estados Unidos e de aliados na região caso haja ofensivas contra seu sistema energético.
A retórica mantém o mercado em alerta, com operadores avaliando que qualquer ruptura na cadeia de oferta pode gerar novos saltos no preço do petróleo.
Em meio à crise, o G7 — grupo formado por Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido, além da União Europeia — divulgou comunicado defendendo a proteção das rotas marítimas estratégicas, incluindo o Estreito de Hormuz.
Os ministros das Relações Exteriores condenaram ataques atribuídos ao Irã e destacaram a necessidade de garantir a estabilidade do fornecimento global de energia.
Segundo o comunicado, os países estão prontos para adotar medidas que ajudem a conter os impactos da guerra no mercado energético.
Ao todo, 22 países já manifestaram apoio à garantia da livre circulação na região, incluindo nações do Oriente Médio como Emirados Árabes Unidos e Bahrein.




