Por Cleber Lourenço
A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou a proposta de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Integrantes da PGR relataram à reportagem, o órgão concluiu que o material não trouxe elementos novos para as investigações, continha informações baseadas em relatos de terceiros e não apresentava compromisso efetivo com a devolução de recursos.
A decisão acompanha o entendimento da Polícia Federal, que já havia recusado a segunda tentativa de acordo do empresário.
Investigadores apontam que um dos principais problemas identificados foi a falta de fatos inéditos capazes de produzir avanços relevantes nas investigações. Além disso, os procuradores entenderam que parte das informações apresentadas por Vorcaro não era acompanhada de elementos que permitissem sua verificação.
Nos bastidores, integrantes da PGR resumem o problema de forma direta: havia excesso de informações baseadas em versões repassadas por terceiros, em uma dinâmica baseada predominantemente em relatos de terceiros, sem elementos autônomos de comprovação.
Outro fator decisivo para a rejeição foi a questão patrimonial. A proposta não estabelecia mecanismos concretos para recuperação de recursos, um dos principais requisitos considerados pelas autoridades em negociações de colaboração envolvendo crimes financeiros.
Estratégia para ganhar tempo
A negativa da PGR reforçou uma avaliação que já circulava entre investigadores.
Interlocutores que acompanham o caso afirmam que as sucessivas tentativas de colaboração passaram a ser vistas como uma estratégia para prolongar as negociações enquanto as investigações avançavam.
Conforme revelou o ICL Notícias, investigadores chegaram a interpretar a movimentação como uma aposta em uma eventual mudança do cenário político nacional, com a expectativa de que um futuro governo Flávio Bolsonaro pudesse alterar o ambiente institucional enfrentado por Vorcaro.
A percepção ganhou força diante da incapacidade das propostas apresentadas até agora de entregar informações inéditas ou contribuições consideradas relevantes para as apurações.
Mudança de postura sobre devolução de recursos
Outro aspecto que chamou atenção das autoridades foi a mudança de postura do banqueiro em relação à devolução de valores.
Antes da rejeição da primeira proposta de colaboração, chegou a circular na imprensa que Vorcaro teria sinalizado a possibilidade de devolver até R$ 60 bilhões como parte de uma negociação com as autoridades, porém isso agora foi negado pela PGR que afirma que nunca houve qualquer discussão sobre valores.
Segundo relatos obtidos pela reportagem, Vorcaro passou a apresentar dificuldades para a recuperação de ativos e a devolução de recursos, justamente em um dos pontos considerados mais importantes pelas autoridades.
Membros da PGR afirmaram à reportagem que “nunca teve discussão de valores” e acreditam que os valores que que circularam no noticiário viriam da própria defesa do ex-banqueiro.
Segunda rejeição
A rejeição da PGR ocorre após a Polícia Federal também descartar a segunda proposta apresentada pelo controlador do Banco Master.
Na ocasião, os investigadores apontaram que o material não trazia fatos inéditos capazes de justificar os benefícios previstos em um acordo de colaboração.
Com a negativa dos dois órgãos, o caminho para uma eventual delação de Vorcaro fica mais estreito. Embora a legislação permita a apresentação de novas propostas, investigadores avaliam que qualquer nova tentativa precisará ser acompanhada de provas robustas, informações efetivamente novas e mecanismos concretos de recuperação de recursos.




