O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, que investiga o PCC há décadas, afirmou que não existirem indícios de ligação entre a facção e os sancionados pelo governo dos Estados Unidos nesta semana. A fala ocorreu durante entrevista à rádio CBN.
Segundo ele, se o FBI ou o Departamento de Estado americano possuem provas dessa conexão, essas informações não foram compartilhadas com as autoridades brasileiras. “No caso do Ministério Público de São Paulo, a gente não tem qualquer informação ligando esses dois indivíduos ao PCC”, disse.
A declaração ocorre depois de os Estados Unidos classificarem o PCC como a maior organização criminosa do Ocidente e sancionarem dois brasileiros e três empresas de São Paulo suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção.
Um dos sancionados, Victor Henrique Shimada, teria lavado mais de 30 milhões de dólares por meio de criptomoedas, segundo a Casa Branca.
Shimada já era investigado no Brasil como suposto responsável pelo desvio de verbas publicitárias de contrato firmado entre o clube paulista Corinthians e uma casa de apostas, sem que haja, até o momento, qualquer indício de vínculo com terrorismo.
Gakiya já havia sido questionado, em entrevista ao ICL Notícias em maio deste ano, se PCC e Comando Vermelho poderiam ser enquadrados como organizações terroristas, hipótese que rejeitou.
Segundo o promotor, a classificação retira o combate ao crime organizado das mãos da polícia e o transfere para o âmbito militar e de agências como a CIA, o que poderia reduzir o compartilhamento de informações entre as polícias brasileira e americana e enfraquecer parcerias já consolidadas entre os dois países no enfrentamento ao tráfico de drogas, armas e pessoas.
A medida também levanta questionamentos sobre o real interesse dos Estados Unidos no combate ao crime organizado, já que o país é apontado como origem de parte significativa das armas e drogas que chegam ao Brasil, sem que haja, até aqui, ações efetivas para impedir esse fluxo.
A classificação ocorre ainda em meio à ascensão da extrema direita na América do Sul, com vitórias recentes em Peru, Colômbia, Argentina e Paraguai, e às vésperas das eleições de 2026 no Brasil.
Confira o ICL Notícias Primeira Edição desta quinta, 2, na íntegra:




