Sem citar filme, Flávio usa Banco Master para atacar governo em audiência nos EUA

Sem citar filme, Flávio usa Banco Master para atacar governo em audiência nos EUA
Publicado em 07/07/2026 às 13:04

O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, citou o Banco Master em seu depoimento diante das autoridades dos EUA. Ele participa nesta terça-feira das audiências para tratar das tarifas que os americanos querem impôr contra os produtos brasileiros. Ele, porém, omitiu qualquer encontro ou relacionamento com Daniel Vorcaro.

O governo Trump avalia aplicar duas tarifas diferentes contra o Brasil – de 25% e de 12,5%. Uma decisão final será anunciada no dia 15 de julho e, ao longo dos últimos meses, o governo Lula tem negociado com interlocutores da Casa Branca.

O filho do ex-presidente está em Washington para tentar desfazer a ideia, em seu eleitorado, de que teria sido sua ofensiva que gerou a iniciativa do governo de Donald Trump de punir o Brasil com tarifas e embargos. A postura do candidato se contrasta com o apelo de seus aliados e de seu próprio irmão, Eduardo Bolsonaro, que inicialmente fizeram gestões na Casa Branca para aplicar barreiras contra o Brasil.

Diante da constatação do erro estratégico e do custo político que isso gerou, a campanha de Flávio Bolsonaro tenta dar uma imagem de que ele poderia “salvar” o Brasil dos problemas comerciais. Sua presença na audiência em Washington, portanto, cumpre apenas um papel eleitoreiro.

Ele teve apenas cinco minutos para falar. Mas a surpresa para quem estava no local foi a decisão de Flávio Bolsonaro de citar o Banco Master, como suposto exemplo de como o atual governo Lula estaria envolvido com o esquema de corrupção.

Nos últimos meses, foram as revelações de seus encontros com Daniel Vorcaro, o financiamento do banqueiro ao filme sobre Jair Bolsonaro e o elo suspeito entre o Banco Master e Ciro Nogueira – que chegou a ser cotado para ser vice de Flávio – que aceleraram o desgaste em sua campanha eleitoral.

Nos argumentos usados por Trump para colocar barreiras contra o Brasil, um dos aspectos citados é a corrupção no país.

A instrumentalização da audiência também chama a atenção de observadores e negociadores que, há anos, participam das audiências no governo dos EUA. Tradicionalmente, esse espaço é aberto sempre que uma administração americana avalia tomar medidas contra um parceiro comercial. Trata-se, simplesmente, de um fórum no qual empresas, entidades e consumidores podem expressar suas opiniões sobre práticas comerciais.

Há cerca de 20 anos, quando o governo dos EUA avaliou tomar medidas contra o Brasil por quebrar patentes de remédios, foram os grupos de pacientes e vítimas do vírus do HIV quem ocuparam esse espaço para pressionar a Casa Branca a não agir contra a política de combate à Aids no Brasil.

Governos, apesar de mandar seus posicionamentos por escrito, raramente fazem parte das audiências, já que contam com canais diplomáticos formais para negociar.

A tentativa de Flávio Bolsonaro de usar o espaço é visto, inclusive por advogados que lidam com o comércio internacional, como um esforço de usar o espaço como palanque.