Trump pressiona China a ampliar compras de soja

Trump pressiona China a ampliar compras de soja
Publicado em 11/08/2025 às 10:22

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A poucos dias do fim da trégua tarifária entre Estados Unidos e China, o presidente Donald Trump declarou esperar que Pequim aumente de forma significativa suas importações de soja americana. O comentário foi feito na rede Truth Social nesta segunda-feira (11), um dia antes de expirar o prazo de 90 dias de trégua comercial entre os dois países.

Segundo Trump, a China estaria preocupada com uma suposta escassez do grão, e a ampliação das compras ajudaria a reduzir o déficit comercial com Washington. “Espero que a China rapidamente quadruplique suas encomendas de soja. Isso também é uma forma de reduzir substancialmente o déficit comercial da China com os EUA”, escreveu. Ele também agradeceu ao presidente chinês Xi Jinping, sem especificar o motivo.

Preço da soja sobe após declaração de Trump

A mensagem de Trump impulsionou os contratos futuros da soja em Chicago, que registraram alta de até 2,8% — o maior ganho intradiário em quatro meses. Milho e trigo também seguiram a tendência.

O momento é estratégico: os produtores americanos estão próximos de iniciar a colheita, o que aumentará a oferta disponível. Em 2024, a China manteve-se como o principal comprador global da oleaginosa, com importações superiores a US$ 12 bilhões dos EUA, embora o Brasil siga como concorrente de peso.

Ainda assim, analistas questionam a narrativa de escassez. Especialistas afirmam que, se necessário, a China conseguiria suprir toda a sua demanda a partir da América do Sul, combinando a produção de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Tensões comerciais e alternativas de abastecimento

Dados do governo americano indicam que, até o fim de julho, a China evitou fazer reservas antecipadas de soja dos EUA para a temporada que começa em setembro, refletindo o clima de incerteza nas negociações. Enquanto isso, o país asiático diversificou fornecedores: aumentou as compras do Brasil e realizou embarques experimentais de farelo de soja da Argentina, usado na produção de ração animal. Segundo analistas chineses, essa estratégia é apenas temporária e não deve se tornar padrão, caso as conversas com Washington avancem.

Historicamente, nesta época do ano, as importações chinesas começam a migrar para o hemisfério norte. O Departamento de Agricultura dos EUA deve divulgar nesta semana uma atualização de suas projeções para a safra doméstica, o que pode influenciar o ritmo de vendas externas.

O apelo de Trump reaqueceu expectativas de melhora nas relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo, com reflexos positivos também no mercado acionário chinês. A soja americana, por sua vez, ganhou competitividade frente à brasileira devido à proximidade da nova safra.

No entanto, divergências permanecem. Além das questões agrícolas, o cenário é marcado por disputas envolvendo tecnologia, energia e política externa — como as críticas de Washington ao comércio de petróleo russo pela China e as restrições de venda de chips de empresas como Nvidia e AMD.

A trégua tarifária tem validade até 12 de agosto, mas o governo americano sinaliza que a prorrogação é possível. Até lá, o mercado segue atento a qualquer sinal de avanço ou retrocesso nas negociações.