Zanin autoriza PF investigar ministro do STJ em inquérito que apura venda de decisões

Zanin autoriza PF investigar ministro do STJ em inquérito que apura venda de decisões
Publicado em 23/07/2026 às 11:46

Por Luísa Martins e José Marques

(Folhapress) – O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a Polícia Federal a investigar o ministro Moura Ribeiro, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), em inquérito sobre venda de decisões judiciais na corte.

É o primeiro ministro do STJ investigado no caso, cujas apurações tramitam no Supremo desde 2024.

A investigação aponta decisões do ministro sob suspeita de terem relação com o lobista Andreson de Oliviera Gonçalves e sua esposa, Mirian Ribeiro, além de transferências a um funcionário que atou no gabinete dele em 2019, e saiu do tribunal em 2021.

Procurado por meio da assessoria do STJ, Moura Ribeiro disse que “desconhece a existência de investigação instaurada sobre decisões que tenha proferido”.

“O servidor citado pelo jornal atuou como ‘assistente de plenário’ de 30/01/2019 a 16/06/2019, tendo antes trabalhado em outro gabinete, e foi exonerado da função após atuação irregular, a pedido do próprio Ministro.”

“Magistrado há mais de quatro décadas, o ministro Moura Ribeiro tem trajetória honrada e enfatiza que são completamente improcedentes quaisquer tentativas de associá-lo a fatos criminosos.”

Zanin autoriza investigação da PF sobre ministro do STJ em inquérito que apura venda de decisões

A defesa de Andreson e Mirian sempre negou que ele tivesse cometido irregularidades. Procurado, o advogado dos dois, Eugênio Pacelli, diz que “não surpreende a busca de alguma autoridade pra legitimar a permanência da jurisdição do STF” e que a própria PF diz que ainda não tem elementos suficientes para concluir se o ministro cometeu irregularidades. O foro especial de integrantes do STJ é no Supremo.

A informação sobre a decisão de Zanin foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

O funcionário do STJ que atuava para Moura Ribeiro era um auxiliar das sessões da corte, função chamada de “capinha”. Outros ministros já estranhavam a condutas do funcionário à época da sua atuação do tribunal. Foi aberto um processo administrativo contra ele e o STJ decidiu pela sua exoneração.

A decisão de Zanin que autorizou a operação é de maio, e está sob sigilo. “Autorizo a instauração de inquérito também no que alude à autoridade mencionada, o eminente ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça”, diz o ministro do STF.

“Torna-se imperioso averiguar possível existência de indícios de ilegalidades penais envolvendo a autoridade sujeita à jurisdição desta Suprema Corte.”

Ao pedir a investigação, a PF disse ao ministro que ainda não existiam fatos objetivos que indicassem a participação de Moura Ribeiro no esquema criminoso, mas “não se está descartando possibilidade de o esquema criminoso envolver servidores ou até o próprio ministro”.

“O ponto é que, neste estágio inicial da investigação, ainda não há elementos suficientes para concluir se houve ou não participação dessas pessoas nos fatos apurados. Somente com novas diligências e o avanço das investigações será possível alcançar a clareza necessária para esse tipo de conclusão.”

Em maio, a PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou nove pessoas na investigação sobre suspeita de vendas de decisões judiciais no STJ.

Entre os denunciados, estão Andreson e Mirian. Também foram denunciados um ex-servidor do STJ que trabalhou em diversos gabinetes, e o ex-chefe de gabinete da ministra Isabel Gallotti.

Até aquele momento, nenhum ministro do tribunal era investigado, e a denúncia não menciona suspeitas de irregularidades sobre qualquer membro da corte.