GCM lança gás contra membros do Teatro do Contêiner, alvo de tentativa de despejo pela prefeitura

GCM lança gás contra membros do Teatro do Contêiner, alvo de tentativa de despejo pela prefeitura
Publicado em 20/08/2025 às 1:18

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Por Catarina Duarte – Ponte Jornalismo

Uma ação da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo nesta terça-feira (19/8) foi denunciada pela página do Teatro de Contêiner Mungunzá. Em vídeos divulgados, pessoas aparecem sendo retiradas por agentes, e é possível ver guardas lançando gás contra o público, enquanto gritos alertam que havia crianças no local.

Em uma das gravações, compartilhada às 17h, um dos organizadores afirma que o prédio foi ocupado para evitar o despejo. “Estão falando que vão nos despejar e destruir tanto o Tem Sentimento quanto o Teatro de Contêiner simplesmente para o governador e o prefeito virem no espaço onde era a Cracolândia fazer palanque aqui”, diz o responsável, que se apresenta como Lucas.

O Teatro de Contêiner está instalado na Rua dos Gusmões, na Santa Ifigênia, próximo à antiga Cracolândia e à Praça Princesa Isabel — áreas marcadas por ações de remoção sob o argumento de revitalização do centro. Para os artistas do espaço, essas medidas fazem parte de um projeto de higienização ligado à chegada do governo estadual à região.

Gás contra o público

Criado em 2016 pela Companhia Mungunzá, o teatro surgiu após um levantamento de áreas ociosas e se consolidou como referência cultural e social. Durante a pandemia, chegou a abrigar políticas públicas, distribuindo refeições, cestas básicas, kits de higiene e água a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Em maio, a gestão Ricardo Nunes deu 15 dias para a desocupação, sob a justificativa de construir moradia popular. No dia 6 de agosto, conforme noticiado pelo g1 São Paulo, a Prefeitura enviou uma nova notificação informando que o prazo não seria prorrogado e se encerraria nesta quinta-feira (20/8). Segundo a administração municipal, a área, de propriedade do município, será destinada a um programa habitacional voltado à revitalização do centro.

Os responsáveis pelo teatro denunciam que a medida representa uma forma de limpeza urbana que desvaloriza a cultura local e integra um plano higienista. “É uma tristeza enorme estar passando por isso, um espaço referência para a nossa cidade, para o nosso país, que deveria ser chancelado e promovido pela própria prefeitura como um equipamento de sucesso, que caminha com as próprias pernas”, disse Marcos Felipe, integrante da Companhia Mungunzá de Teatro, em entrevista à Ponte em maio deste ano.

O que dizem as autoridades

A Ponte procurou a Prefeitura de São Paulo para pedir um posicionamento sobre a atuação da GCM no Teatro de Contêiner na tarde desta terça-feira (19/8).

Em nota, a Guarda Civil Metropolitana informou que realizou nesta terça-feira (19) uma operação na Rua dos Protestantes para desocupar um imóvel ao lado do Teatro de Contêineres. Segundo a corporação, o prédio, interditado e com demolição prevista pela Prefeitura de São Paulo, havia sido invadido por um grupo que utilizava um acesso clandestino a partir do terreno do teatro. Diante da recusa em deixar o local, a GCM afirmou que foi necessária a intervenção das forças de segurança. Após a ação, acrescentou, o imóvel permaneceu trancado e preservado.