iFood e Uber unem forças para enfrentar ofensiva chinesa

ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
A guerra pelo domínio do mercado de entregas no Brasil ganhou novo capítulo com o anúncio da parceria estratégica entre iFood e Uber, na quarta-feira (14). A aliança permite que usuários do iFood solicitem corridas pela Uber diretamente no aplicativo, enquanto consumidores da Uber poderão acessar os serviços de entrega do iFood.
O movimento é visto como um contra-ataque ao avanço de concorrentes asiáticos, como a 99Food e a recém-chegada Keeta — plataforma da gigante chinesa Meituan, que prometem abalar o domínio do iFood, responsável por cerca de 80% do mercado, segundo a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).
A estratégia do iFood é transformar o app em um hub de serviços, com ferramentas voltadas para a digitalização dos restaurantes, acesso a crédito e programas de fidelidade.
Atualmente, a plataforma reúne 55 milhões de usuários e mais de 400 mil estabelecimentos cadastrados. Seu clube de fidelidade, com 11 milhões de assinantes, é responsável por metade dos pedidos.
Como vai funcionar a parceria iFood e Uber
A ideia deve ser implementada a partir do segundo semestre em algumas cidades brasileiras:
- Uber e iFood contarão com uma aba para o outro quando a integração for realizada.
- O acordo visa a simplificar a vida dos consumidores brasileiros com a junção dos dois apps mais populares em suas áreas. A vantagem, segundo as empresas, é que consumidores não precisarão alternar entre os apps para pedir refeições ou realizar deslocamentos.
- Os serviços continuarão separados. As soluções de entrega da Uber (Direct e Flash) e de compra em supermercado continuam acessíveis diretamente no aplicativo da companhia.
- O iFood, por sua vez, continuará com seus serviços próprios, de compra em supermercados, farmácias, etc.
- Não há planos de integrar os programas de assinatura Uber One e Clube iFood.
Entrada de chinesas
Apesar do entusiasmo no lançamento da parceria, o cenário já era de mudanças intensas. A 99, controlada pela chinesa DiDi Chuxing, anunciou investimentos de R$ 1 bilhão no Brasil para criar um “superapp” que integra transporte, delivery, mudanças e serviços financeiros via 99Pay. O retorno da 99Food ao mercado inclui taxa zero para restaurantes e promoções agressivas para consumidores.
A Meituan, dona da Keeta, anunciou um aporte de R$ 5,6 bilhões no Brasil, com escritório já estabelecido em São Paulo. A empresa domina o mercado chinês de delivery e busca replicar seu sucesso por aqui.
Rappi aposta em logística
A Rappi, por sua vez, também está em rota de expansão. A plataforma anunciou um investimento de R$ 1,4 bilhão nos próximos três anos, com 40% voltados ao segmento de restaurantes. A meta é dobrar o número de estabelecimentos parceiros até o fim de 2025, atraindo novos usuários por meio de serviços logísticos e políticas de taxa zero.
Regulamentações abriram espaço
Parte desse movimento foi impulsionado por mudanças regulatórias. Em 2023, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) firmou acordo com o iFood para limitar contratos de exclusividade com restaurantes. Além disso, o sistema Open Delivery, lançado em 2021, padronizou o compartilhamento de dados entre plataformas, eliminando barreiras para novos concorrentes.



