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Por Leila Cangussu — O segundo momento da abertura do Despertar 2025 destacou que a transformação social do Brasil só pode ser construída a partir da periferia. No palco, Jones Manoel, o rapper Gog, Renata Alves (Legado Paraisópolis) e Leonardo Péricles (Unidade Popular) compartilharam trajetórias, projetos e denúncias que reforçam a urgência de um país mais justo.
Eduardo Moreira e Gog durante o Despertar 2025. Foto: ICL
O rapper Gog, apresentado por Eduardo Moreira como “pai do rap nacional”, recitou versos que traduzem a violência cotidiana sofrida nas periferias e lembrou a importância de projetos como a Casa GOG, espaço que acolhe mais de cem crianças.
Leonardo Péricles, fundador da Unidade Popular, destacou a construção de uma quadra esportiva em Minas Gerais, fruto de mobilização popular, e lembrou que são os trabalhadores que fazem a engrenagem do país girar. “Os garis em Paris mostraram que basta uma greve para toneladas de lixo pararem a cidade. Quem move a máquina é o trabalhador, e é esse mesmo setor que pode parar tudo e construir outra sociedade”, afirmou.
A liderança comunitária Renata Alves, de Paraisópolis, emocionou o público ao relatar sua trajetória de sobrevivência e resistência. Durante a pandemia, ela coordenou ações que salvaram milhares de vidas em sua comunidade. Agora, celebra a inauguração da Escola de Tecnologia do Legado Paraisópolis, que garante acesso à formação digital para crianças e jovens. “Não é a inteligência artificial que vai dominar o mundo, mas meus filhos têm direito de conhecê-la”, disse.
O painel também contou com relatos de violações sofridas nas periferias, como a negligência no sistema de saúde que levou à morte do jovem Kauã, lembrada por seu irmão Adriel, do MLB, e denunciada como exemplo de racismo estrutural e exclusão social.
Uma revolução de carne e osso
Entre aplausos, os participantes reforçaram que a revolução não é apenas conceito, mas uma prática cotidiana: na música, no esporte, na tecnologia e na organização popular. Para Eduardo Moreira, “esses são heróis de carne e osso, que mostram que a revolução virá da periferia”.




