A Receita Federal informou nesta terça-feira (23) que a arrecadação federal de impostos, contribuições e outras receitas do governo somou R$ 208,8 bilhões em agosto de 2025. O valor representa uma queda real de 1,5% em comparação ao mesmo mês do ano passado, quando foram arrecadados R$ 212 bilhões (corrigidos pela inflação).
Segundo o Fisco, a redução foi influenciada principalmente pelos efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul, que alteraram o calendário de recolhimento de tributos na região.
Nos meses seguintes à tragédia, empresas e contribuintes puderam adiar o pagamento de impostos, o que gerou uma arrecadação extra de R$ 3,6 bilhões em agosto de 2024. Por isso, o resultado deste ano ficou artificialmente menor.
Além disso, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, destacou em reportagem do g1, que a desaceleração da economia, provocada pelos juros elevados, também pesou sobre o desempenho da arrecadação. Queda na produção industrial, no consumo e nas vendas do varejo ajudaram a puxar os números para baixo.
Impacto do IOF na arrecadação federal
Mesmo com esse cenário, houve reforço de caixa por meio do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Após mudanças aprovadas e derrubadas parcialmente no Congresso, o tributo voltou a valer quase em sua totalidade em julho, depois de decisão do STF.
Com isso, a Receita arrecadou em agosto R$ 2,21 bilhões a mais com IOF do que no mesmo mês de 2024, já descontada a inflação.
De janeiro a agosto, a arrecadação federal chegou a R$ 1,89 trilhão em valores nominais. Corrigido pela inflação, o montante sobe para R$ 1,91 trilhão, o que representa um crescimento real de 3,73% frente ao mesmo período de 2024. Trata-se do maior resultado da história para os oito primeiros meses do ano.
Esse desempenho tem sido impulsionado não só pelo IOF, mas também por mudanças recentes na tributação, como:
- Tributação de fundos exclusivos e offshores;
- Alterações em incentivos fiscais concedidos por estados;
- Retomada da cobrança sobre combustíveis;
- Taxação de apostas esportivas;
- Imposto sobre compras internacionais de pequeno valor (a “taxa das blusinhas”);
- Reoneração gradual da folha de pagamentos;
- Fim de benefícios ao setor de eventos (Perse).
Meta fiscal de 2025 e planos para 2026
O aumento da arrecadação federal é central para o governo tentar cumprir a meta de déficit zero em 2025, estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias. O arcabouço fiscal permite, porém, um déficit de até 0,25% do PIB (cerca de R$ 31 bilhões), além da exclusão de R$ 44,1 bilhões em precatórios da conta oficial.
Para 2026, a meta é ainda mais ambiciosa: alcançar um superávit primário de 0,25% do PIB. Para isso, a equipe econômica já conta com novas medidas de aumento de impostos, como:
- Elevação da alíquota sobre apostas online, de 12% para 18% da receita líquida (GGR);
- Aumento da tributação sobre juros sobre capital próprio (de 15% para 20%);
- Criação de alíquota de 5% sobre LCI e LCA (hoje isentas);
- Tributação mais detalhada sobre criptoativos;
- Reclassificação das fintechs, que passam a pagar alíquotas maiores de CSLL (15% ou 20%).




