Família expulsa de voo da Air France detalha confusão com tripulação em Paris

Família expulsa de voo da Air France detalha confusão com tripulação em Paris
Publicado em 19/01/2026 às 19:55

Por Josué Seixas

(Folhapress) – A família da Bahia expulsa de um voo da Air France no dia 14 de janeiro afirma que o comandante tomou o bilhete de uma das passageiras e tentou forçá-los a apagar os vídeos em que estava registrada a situação, conforme informado à reportagem. Isso também teria sido feito com outros passageiros presentes no voo, sob a ameaça de desembarque. O episódio ocorreu no voo AF562, do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, para Salvador (BA), ainda antes da decolagem.

Por meio de nota, a Air France disse que os passageiros reagiram de forma “extremamente exaltada” e “adotaram comportamento inadequado em relação à tripulação de cabine”, e que o comportamento adotado antes da partida “causou atraso, gerou insatisfação entre outros passageiros e poderia ter comprometido a segurança do voo”.

À reportagem, Danielle Cordeiro Lopes, 48, disse que viajava com o marido, o empresário Ivan Lopes, 58, a filha de 11 anos e a enteada de 25 anos. O grupo retornava ao Brasil após uma viagem de cerca de 20 dias, com saída de Milão, conexão na França e destino final Salvador.

No check-in em Milão, a família aceitou um upgrade da Premium Economy para a classe executiva, por um valor de 400 euros (R$ 2.497 aproximadamente) por pessoa, sendo 1.600 euros no total (R$ 9.989).

O problema teria começado em Paris, quando a enteada recebeu uma notificação no celular indicando retorno à Premium Economy. A justificativa foi de que uma cadeira na Classe Executiva estava quebrada e, por isso, ela teria de ser realocada.

Houve a tentativa de negociação para que a família permanecesse junta, num retorno à categoria anterior, mas isso foi negado porque os assentos já estariam ocupados e também não haveria devolução imediata do dinheiro.

Segundo ela, a atendente conversou com algumas pessoas no interfone e falou para entrarem, porque havia uma pessoa consertando o assento. Caso não fosse possível o conserto, alguém teria de ir para a Premium Economy. Danielle se ofereceu para a troca, já que as garotas estavam muito animadas para ir na Classe Executiva.

“Só que, quando entramos, veio o motivo da indignação: a nossa cadeira não estava quebrada. Nossa cadeira tinha sido cedida para outro passageiro, um francês, que até demonstrou certa empatia, mas chegou a perguntar se eu era business frequente, já que ele era, ou seja, eu teria feito o upgrade recentemente”, afirmou.

Como o conserto da cadeira ficou impossibilitado, já que ela não reclinava completamente, o marido de Danielle, Ivan, sugeriu que ele fosse na cadeira apesar de estar quebrada, mas isso também não foi aceito.

Houve a tentativa de levá-los para um canto da aeronave para uma conversa, mas a família preferiu que a conversa acontecesse no local do assento. Em seguida, o capitão foi chamado. Ele teria chegado alterado e focado em encerrar a discussão com a família.

“Minha filha estava com o ticket da classe executiva na mão quando ele puxou o bilhete e disse: ‘Você não é mais executiva, vai lá para trás’. Foi nesse momento que fiquei indignada, puxei o ticket de volta e falei: ‘Eu paguei por esse ticket, ele é meu, você não tem o direito de fazer isso’. Como meu marido não entende inglês, eu fui explicar o que estava acontecendo. Quando ele (comandante) percebeu isso, ficou ainda mais nervoso, veio gritando e apontando o dedo na minha cara, dizendo para mim e para minha filha mais velha que já tinha dado duas chances e que, se não acatássemos, sairíamos da aeronave”, iniciou.

Nesse momento, Ivan disse que ele não podia tratar assim a esposa e a filha e explicou que não falava inglês, mas que poderia tentar em espanhol. O comandante respondeu que falava francês e inglês e repetiu que as chances tinham acabado.

Família expulsa de voo da Air France detalha confusão com tripulação

“Nesse momento, minha filha mais velha estava filmando. Ele viu, mandou que ela entregasse o telefone, tentou pegar o celular e exigiu que ela apagasse o vídeo. Como ela se recusou, ele disse que todas as chances estavam esgotadas e determinou que sairíamos do voo. O passageiro francês que estava na poltrona tentou interceder, disse que falaria com o capitão, mas voltou informando que a decisão estava mantida. A tripulação então pediu que saíssemos. Eu disse que não sairia e que, se quisessem nos retirar, teriam que chamar a polícia. A polícia chegou cerca de meia hora depois e nos conduziu para fora da aeronave”, complementou.

Após o desembarque, a família diz não ter recebido assistência da companhia aérea. Segundo o relato, funcionários informaram que eles haviam perdido as passagens por terem causado atraso no voo e que novos bilhetes só poderiam ser adquiridos mediante pagamento.

Como alternativa, a companhia ofereceu um voo na classe econômica, com quatro escalas, ao custo de cerca de 7.000 euros (R$ 43,6 mil aproximadamente).

Diante da situação, o grupo comprou novas passagens em outra companhia aérea, com saída no dia seguinte, após deslocamento do aeroporto Charles de Gaulle para Orly e espera de cerca de três horas para liberação das bagagens.

O custo da nova viagem foi de aproximadamente R$ 58 mil. A família retornou ao Brasil no dia seguinte e agora estuda as medidas jurídicas que podem ser tomadas.

‘Passageiros indisciplinados’, diz Air France

Em nota, a Air France chamou a família de “grupo de quatro passageiros indisciplinados”. “O comportamento adotado a bordo, antes da partida, causou atraso, gerou insatisfação entre outros passageiros e poderia ter comprometido a segurança do voo. De fato, a equipe da Air France no portão informou a um dos quatro passageiros -que originalmente possuía bilhetes em Premium Economy- que, devido à inoperância de um outro assento na Classe Executiva, o upgrade para a Classe Executiva, adquirido no dia da partida, não poderia ser honrado. O assento em questão foi, portanto, atribuído a um cliente que havia adquirido um bilhete de Classe Executiva no momento da reserva”, afirmou a empresa.

“Considerando o desejo dos passageiros de viajarem juntos, a equipe da Air France ofereceu assentos na cabine Premium Economy, conforme originalmente previsto. No entanto, os passageiros optaram por manter três assentos em Classe Executiva (upgrade) e um assento em Premium Economy (upgrade que não pôde ser honrado devido ao assento inoperante). Uma vez a bordo, os passageiros reagiram de forma extremamente exaltada e adotaram comportamento inadequado em relação à tripulação de cabine. Apesar das explicações fornecidas e dos reiterados apelos do comandante para que mantivessem a calma, o mau comportamento persistiu.”