Prévia da Inflação desacelera em maio

Prévia da Inflação desacelera em maio
Publicado em 27/05/2026 às 9:57

A prévia da inflação oficial brasileira voltou a ultrapassar o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em maio, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA-15 avançou 0,62% no mês, desacelerando em relação aos 0,89% registrados em abril, mas ainda acima das expectativas do mercado financeiro.

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,64%, acima do limite máximo de 4,5% definido pelo sistema de metas. É a primeira vez desde outubro do ano passado que o indicador supera novamente a margem de tolerância.

Embora o índice tenha perdido força na comparação mensal, o comportamento dos preços reforça a persistência de pressões em itens essenciais do consumo das famílias, especialmente alimentação, energia elétrica e serviços ligados ao transporte aéreo.

Alimentos seguem como principal foco de pressão

O grupo de alimentação e bebidas teve a maior alta entre os segmentos pesquisados, com avanço de 1,38% em maio. O resultado foi impulsionado principalmente pelos aumentos expressivos da batata-inglesa (26,29%), tomate (12,97%), leite longa vida (6,07%) e carnes (1,98%).

Dentro da alimentação no domicílio, a alta foi de 1,73%, ligeiramente abaixo da registrada em abril (1,77%). Segundo o IBGE, a desaceleração parcial ocorreu devido à queda nos preços da maçã (-2,32%) e do café moído (-2,09%).

Já a alimentação fora de casa também mostrou perda de ritmo. Os preços subiram 0,51%, abaixo dos 0,70% do mês anterior, refletindo reajustes mais moderados em refeições e lanches.

Energia elétrica volta a pressionar inflação

Outro fator relevante para o avanço do índice foi o aumento das tarifas de energia elétrica residencial, que subiram 2,16% no mês. O impacto decorre da adoção da bandeira tarifária amarela pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), medida motivada pela redução no volume de chuvas e pela necessidade de acionamento de usinas termelétricas, cuja geração possui custo mais elevado.

A cobrança adicional representa acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Até então, as contas de luz estavam sem cobrança extra desde dezembro de 2025.

O grupo habitação encerrou maio com alta de 1,03%, tornando-se uma das principais pressões inflacionárias do período.

Passagens aéreas sobem e combustíveis recuam

Apesar da queda de 0,33% no grupo transportes — única variação negativa entre os nove segmentos analisados — o comportamento interno dos itens mostrou forte volatilidade.

As passagens aéreas subiram 3,25% em maio, após terem recuado 14,32% em abril. Em contrapartida, os combustíveis automotivos registraram queda de 1,47%, influenciada pelos recuos do etanol (-2,73%), diesel (-2,04%) e gasolina (-1,32%).

O movimento ajudou a conter parte da pressão inflacionária do mês, ainda que não tenha sido suficiente para impedir o avanço do índice acumulado em 12 meses.

Meta contínua aumenta atenção sobre inflação

O atual sistema de metas de inflação passou a operar em modelo contínuo, no qual o cumprimento da meta é acompanhado mensalmente com base no acumulado de 12 meses. A meta central permanece em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Apesar de o indicador ter ultrapassado o teto em maio, o Banco Central não precisa apresentar justificativas imediatas. Isso só ocorre caso o descumprimento persista por seis meses consecutivos.

O resultado, no entanto, reforça o desafio da política monetária em controlar uma inflação ainda disseminada em setores sensíveis ao orçamento das famílias, especialmente alimentação e serviços essenciais.

Veja o desempenho dos grupos em maio

  • Alimentação e bebidas: +1,38%
  • Saúde e cuidados pessoais: +1,05%
  • Habitação: +1,03%
  • Despesas pessoais: +0,50%
  • Comunicação: +0,36%
  • Vestuário: +0,36%
  • Artigos de residência: +0,21%
  • Educação: +0,01%
  • Transportes: -0,33%