Voepass fez 2,6 mil voos sem manutenção após queda de avião em Vinhedo (SP), diz Anac

Voepass fez 2,6 mil voos sem manutenção após queda de avião em Vinhedo (SP), diz Anac
Publicado em 26/06/2025 às 4:00

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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontou que a Voepass operou 2,6 mil voos com aviões sem manutenção adequada a queda de uma aeronave operada pela empresa em 9 de agosto de 2024 que deixou 62 mortos em Vinhedo (SP). As informações foram reveladas em reunião da Anac que cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Voepass.  A partir da decisão da Anac, a Voepass está proibida de operar voos. Não cabe mais recurso.

A cassação das operações de transporte aéreo da Voepass já havia sido determinada em primeira instância, mas a empresa recorreu. Na reunião da diretoria da Anac na terça-feira (24), o advogado da Voepass, Gustavo de Albuquerque, defendeu que a cassação do COA pode significar uma “pena perpétua”. A companhia aérea atendia 16 destinos em voos comerciais.

O relator do processo na Anac e diretor da agência Luiz Ricardo Nascimento afirmou que foi constatado que o descumprimento de procedimentos operacionais que era prática recorrente na empresa.No processo, também foi apurado que a empresa deixou de realizar 20 inspeções em tarefas de manutenção em sete aeronaves  entre 15 de agosto de 2024 e 11 de março de 2025, o que representou um total de 2.687 voos.

2.687 voos sem inspeção e manutenção

De acordo com o relator, voos foram realizados “com aviões em condições consideradas não aeronavegáveis”, e a área técnica constatou relevante degradação nos processos de controle dessas inspeções.

O comportamento de “continuidade de conduta infracional”, segundo Nascimento, “não era de forma alguma esperado para um operador regular após a ocorrência de grave acidente com uma de suas aeronaves, pois a tal fato espera-se susceder o aumento do nível de alerta de empresa como um todo, uma maior diligência na execução dos procedimentos de manuteção, e um reforço em seus sistema que visava a proteção aos voos”.

Queda em Vinhedo (SP) de avião operado pela Voepass deixou 62 mortos (Foto: Reprodução)

A operação de voos da empresa já estava suspensa desde 11 de março de 2025, depois que a Anac identificou falhas em aspectos de segurança e determinou a correção dessas irregularidades.
Com a suspensão da Voepass, a Latam informou, no fim de março, que forneceu “solução de viagem” sem custos para 85% dos 106 mil clientes afetados. A solução inclui reacomodação em voos da Latam ou reembolso dos passageiros.

“Os demais 15% dos clientes estão com o processo de resolução em vias de conclusão”, disse.
Quando a Anac suspendeu as operações da Voepass, notificou a Latam para atender aos clientes afetados pela decisão, uma vez que as duas companhias aéreas possuem acordo de codeshare – quando uma companhia (a Latam) pode vender passagens de voos operados por outra (a Voepass).
Em Ribeirão Preto (SP), onde fica a sede da Voepass, a companhia operava com 146 voos mensais no Aeroporto Dr. Leite Lopes, com uma média de 15 mil passageiros, informou a Rede Voa, responsável pelo terminal.

O Ministério dos Portos e Aeroportos afirmou, em nota, que entende que “a medida mostra o compromisso da agência pela preservação do serviço aéreo no país, garantindo segurança da operação ao usuário”.

 Voepass estava suspensa desde março de 2025

A operação de voos da empresa já estava suspensa desde 11 de março, depois que a Anac identificou falhas em aspectos de segurança e determinou a correção dessas irregularidades. Quando a Anac suspendeu as operações da Voepass, notificou a Latam para atender aos clientes afetados pela decisão, uma vez que as duas companhias aéreas possuem acordo de codeshare – quando uma companhia (a Latam) pode vender passagens de voos operados por outra (a Voepass).

No dia 25 de março, a Anac decidiu manter os slots (espaços autorizados para pousos e decolagens) da Voepass nos aeroportos de Guarulhos e de Congonhas, em São Paulo (SP). A decisão atendeu a um pedido da companhia.

A  Latam informou, no fim de março, que forneceu “solução de viagem”, como reacomodação em voos da companhia sem custos ou reembolso para 85% dos 106 mil clientes afetados. Os demais 15% dos clientes estão com o “processo de resolução em vias de conclusão”, diz a Latam