Os EUA e Israel saíram derrotados da guerra no Irã, tanto em termos militares por não terem atingido seus objetivos, como moralmente diante da comunidade internacional. A avaliação é o embaixador do Irã na ONU, Ali Bahreini.
Em coletiva de imprensa realizada em Genebra nesta terça-feira, o negociador respondeu ao ICL Notícias de forma enfática ao ser questionado sobre o balanço que ele fazia do conflito. “Os EUA não venceram a guerra”, disse. Segundo ele, o Irã não queria um conflito e garante que, entre janeiro e fevereiro, seu governo agiu para evitar a violência.
A posição iraniana é radicalmente diferente da postura adotada por Donald Trump que, mesmo nos primeiros dias do conflito, insistia que os EUA já tinham vencido a guerra. Desde a semana passada, a Casa Branca passou a afirmar que o cessar-fogo negociado entre os dois países era um sinal da debilidade de Teerã e que seus objetivos tinham sido atingidos.
Nos EUA, editoriais de jornais como The New York Times e analistas apontavam numa direção diferente.
No dia 15 de julho, o editorial de um dos principais jornais do mundo dizia:
“O acordo preliminar que põe fim à guerra de quatro meses do presidente Trump com o Irã é bem-vindo, mas traz consigo duras verdades. Trump cometeu um erro terrível ao iniciar essa guerra. Ele a conduziu de forma imprudente e em flagrante desrespeito à lei. Os Estados Unidos estão emergindo mais fracos — militar, diplomática e economicamente — e pagarão custos estratégicos por muitos anos.
Os detalhes do acordo não são claros, mas a estrutura anunciada sugere que Trump obteve poucos dos termos que insistia em alcançar. É uma humilhante derrota para ele e para a nação que lidera.
O governo iraniano tem uma posição similar.
“Quando vemos o que ocorreu na guerra, não é uma questão para nós se vencemos ou não. Nossa missão era resistir e proteger a segurança de nosso país. Queríamos proteger a integridade do Irã”, disse. “Portanto, fomos capazes de nos defender e isso foi um grande fracasso e derrota para os EUA e Israel, não apenas militarmente, mas moralmente”, afirmou o embaixador.
“Fizeram o que podiam para desmantelar o Irã. Atacaram escolas, violaram o direito internacional, atacaram hospitais, atacaram a infraestrutura civil, ameaçaram destruir uma civilização. Essas são coisas que um país civilizado não pode fazer”, criticou.
“Portanto, EUA e Israel aparentemente perderam. Não foram capazes de atingir nenhum de seus objetivos e perderam toda a posição moral. O mundo olha para eles como governos que perderam seu status moral e, definitivamente, foram derrotados”, disse o embaixador.
Segundo ele, militarmente o Irã também respondeu de forma exitosa. “Eles se deram conta que era impossível fazer qualquer avanço bélico no Irã”, constatou.




